sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Crônica "Homem no mar", de Rubem Braga

De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem andando. Ele nada a uma certa distancia da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.
Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita que um desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando em uma praia deserta, Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei, duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinqüenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado o esconderá. Que ele nade bem esses cinqüenta ou sessenta metros, isto me parece importante, é preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solitário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranqüilo, pensando – ” vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que Le nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele atingiu”.
Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mário Prata: breve biografia

Mario Prata é um escritor, dramaturgo, jornalista e cronista brasileiro. É natural de Uberaba, Minas Gerais, mas viveu boa parte da infância e adolescência em Lins, interior de São Paulo. Em mais de 50 anos de escrita, tem no currículo 3 mil crônicas e cerca de 80 títulos, entre romances, livros de contos, roteiros e peças teatrais. Na carreira, recebeu 18 prêmios nacionais e estrangeiros, com obras reconhecidas no cinema, literatura, teatro e televisão.

Sua estreia na literatura foi em 1969, com o texto “O Morto que Morreu de Rir”. Em 1987, a premiada peça teatral “Besame Mucho” foi lançada em livro. Explorando gêneros, escreveu e participou de dez coletâneas literárias e da coleção “Quem Conta um Conto”, projeto adotado em escolas, com organização do professor Samir Curi Meserani. De 1970 a 1987, Mario Prata também escreveu e participou de cinco publicações para o público infantil

Mais recentemente, o autor tem se dedicado à literatura policial, com dois livros publicados do gênero: Sete de Paus (2008) e Os Viúvos (2010). Sua publicação mais recente é Almanaque Pinheiro Neto, livro comemorativo lançado em 2012.





"Lei" muito importante




Jogo sobre a independência do Brasil

Um joguinho bastante interessante! Aproveitem!!!

http://educarparacrescer.abril.com.br/1822/?utm_source=redesabril_educar%20&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_educar&utm_content=hotsite&

Sobre acentuação gráfica...

http://rachacuca.com.br/educacao/portugues/regras-de-acentuacao-grafica/

Exercícios:

http://rachacuca.com.br/quiz/40014/regras-de-acentuacao-grafica-i/

A história do leão criado em casa...



Crônica "Avestruz", Mário Prata



O filho de uma grande amiga pediu, de presente pelos seus 10 anos, um avestruz. Cismou, fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu os avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto. 

Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruz. E se entregavam em domicílio. 

E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar o avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa um avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase 3 metros - 2,70 para ser mais exato. 

Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí, assustando as demais aves normais. 

Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor! 

Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo o que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha. 

Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que os avestruzes vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima! 

Podem gerar de dez a 30 crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento. 

Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer. 

Foi quando descobri que eles comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo. Máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem. 

Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu. 

Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Sequência didática para o estudo de crônicas - 5ª série/6º ano

Texto: ”Avestruz”, de Mário Prata
 Ano indicado: 
 Tempo estimado: mínimo de 8 aulas
 Objetivos gerais: 
  • Desenvolver as capacidades de uso da língua, especialmente na modalidade escrita.
  • Permitir que o aluno identifique as marcas do gênero textual proposto.
  • Promover o autodesenvolvimento, estimulando a leitura, a pesquisa e a busca pelo conhecimento.
Expectativas gerais: 
  • Identificar elementos constitutivos da organização interna de um gênero.
  • Estabelecer conexões entre o texto e os conhecimentos prévios, vivências e valores.
  • Estabelecer a relação entre o título e o corpo do texto.
  • Recuperar informações explícitas.
  • Inferir o sentido de palavras ou expressões a partir do contexto.
  • Inferir o uso de palavras ou expressões de linguagem figurada e compreender os sentidos conotados.
  • Inferir informações pressupostas ou subentendidas no texto.
  • Produzir textos a partir de modelos, levando em conta o gênero e seu contexto de produção, estruturando-o de maneira a garantir a relevância das partes em relação ao tema e aos propósitos do texto e a continuidade temática.
1ª aula:
Introdução ao tema
Comece a aula com um bate-papo com os alunos. Pergunte quantos já pediram (ou sabem de alguém que pediu) um presente muito estranho de aniversário. Em seguida, pergunte que animal seria estranho alguém querer de presente. Ouça as respostas e ajude-os a identificarem as possibilidades impossíveis, tais como: leão, tigre, urso etc.
Verificando o conhecimento prévio e despertando o interesse
Informe-os de que o texto lido trata de uma ave cujo corpo é do tamanho de um boi, que pesa entre 100 e 160 quilos, chega a 2,70m, tem asas (mas não voa) e longo pescoço (descreva o animal conforme as informações apresentadas do texto). Deixe para falar do pescoço por último, por ser uma característica marcante da ave. Veja se algum aluno identifica a ave; se não, mostre a foto de um avestruz (se possível uma imagem que deixe claro sua proporcionalidade de tamanho com relação ao homem (principalmente) e a outros animais conhecidos deles (cachorro, gato, galinha etc.)).
Você pode sugerir também que desenhem o animal de acordo com sua descrição. Depois, pode comparar os desenhos à imagem do avestruz.
2ª aula:
Diga que vocês lerão uma crônica cujo título é “Avestruz”. Perguntem se sabem o que é crônica. Anote as respostas na lousa. Em seguida, conte uma história uma crônica que aborde um tema comum (crônica). Se possível, leia-o como se a história fora vivida por você.
Apresente as características do gênero, circulando as informações corretas citadas por eles, escritas na lousa, e acrescentando o que falta.
Leia o texto para a classe. Apresente breve biografia do autor, se possível com foto.
3ª aula
Retome o texto da aula anterior e verifique se há algum problema quanto ao vocabulário. Sugira que descubram o significado das palavras desconhecidas pelo conhecimento de mundo (entrega de pizza em domicílio, por exemplo), pelo contexto (asas “atrofiadas”, pelo trecho “talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos, por aí, assustando as demais aves normais”) ou ainda pelo uso de dicionários.
Em seguida, peça que respondam às perguntas:
1. Toda crônica trata de um tema comum na vida das pessoas. Qual é o tema comum abordado em “Avestruz”?
2. Outra característica da crônica é a narração descontraída, subjetiva: o narrador conta a história como se conversasse com um amigo. Que palavras ou expressões usadas no texto revelam essa característica?
3. Quanto aos elementos narrativos:
a) Quem são as personagens da história?
b) Onde acontecem os fatos?
4. Quanto às marcas espaciais?
a) A marca espacial “Floripa” refere-se à capital de qual estado brasileiro?
b) Esse estado fica em qual região do país?
c) Que outros dois estados pertencem a essa região?
d) Complete a tabela com os dados que faltam:

SIGLA
ESTADO
CAPITAL
SP



Rio de Janeiro



Belo Horizonte


Manaus
RS


RN



Distrito Federal



Vitória

Professor: Abordar assuntos de outras disciplinas em sua aula mostra como todas estão interligadas, relacionadas.


e) Que outras siglas não relacionadas aos estados do Brasil você conhece? Escreva-as e seus significados. Neste exercício, seria interessante colocar as siglas desconhecidas e/ou diferenciadas na lousa.

Professor: Caso não tenham com clareza o conceito de sigla, retome-o.

Para casa:
1. O menino mora no bairro Higienópolis, em São Paulo. Faça uma breve pesquisa na Internet e responda:
A maior parte das pessoas pertencentes a esse bairro é como: pobre, rica, muito rica, nem rica nem pobre?
2. Aproveitando a pesquisa, veja fotos locais (pelo Google Imagens, por exemplo) e responda:
a) Que tipos de construções há nessa região (casas térreas, sobrados, mansões, prédios etc.)?
b) Como são as casas e apartamentos dessa região?
c) Há pessoas famosas que moram lá? Quais?
Professor: Caso haja Laboratório de Informática com computadores suficientes para sua turma, essa pesquisa pode ser feita na escola, sob sua orientação. Aproveite para pesquisar fotos do bairro onde está localizada a escola e onde os alunos residem. Ajude-os a compararem as fotos e discuta as condições sociais em que vivem os moradores de cada região.

4ª aula:
Correção das tarefas da aula anterior e da lição de casa.
5ª aula
Retomando os elementos narrativos para compreensão, análise e interpretação do texto.
Inferir possível condição social das personagens, a fim de identificar o porquê de tal pedido absurdo (provavelmente trata-se de criança burguesa, acostumada a ganhar tudo o que pede, classe A ou B (mora em Higienópolis), tem jogos eletrônicos etc.).
Apresentar as questões:
1. O que podemos dizer acerca do menino do texto? Cite cinco coisas.
2. Que suposições podemos fazer a respeito dele? Assinale a alternativa que julgar correta:
(    ) Trata-se de uma criança inocente, que nunca viu a imagem de um avestruz na vida e, por isso, deseja ter a ave como animal de estimação.
(  ) Aparentemente é uma criança mimada, acostumada a ter todos os seus desejos atendidos.
(    ) Trata-se de uma criança desinformada, por não saber que é impossível criar um avestruz dentro de um apartamento.
(    ) Trata-se de uma criança de classe média-alta ou alta, muito bem informada, que sabe como criar um avestruz dentro de um apartamento.
3. O que fez o menino desistir de ganhar um avestruz? Que informação o narrador deu ao menino que o fez desistir de ter um avestruz? Por qual motivo você acredita que ele desistiu da idéia?
Trabalhando questões linguísticas
Há três palavras no texto escritas em língua distinta do português. Que palavras são essas? Estão escritas em qual língua?
Professor: Explique a grafia dos nomes científicos (ou veja a possibilidade de o professor de Ciências tratar do assunto).
6ª aula
Corrija as questões da aula anterior mostrando os caminhos percorridos no texto para encontrar as respostas corretas:
Não se trata de criança inocente, que nunca vira antes um avestruz, pois o narrador afirma que o menino teve o contato visual com o animal ao visitá-lo.
Não se trata de criança desinformada, pois o contexto nos permite perceber que ela tem acesso a informações (tem acesso a internet).
Sugira que escrevam um texto considerando que o pedido do menino fora atendido e pensando nas seguintes questões:
a) Como foi o transporte do animal no avião?
b) Qual a reação do menino ao receber o animal? E a da mãe?
c) Como a presença da ave no apartamento mudou a rotina da família?
d) O que o animal aprontou?
Professor: As produções textuais permitirão verificar o aproveitamento da aprendizagem e enxergar quais pontos gramaticais, ortográficos e poderão ser trabalhados ao longo do ano. Escolha algumas produções para uma revisão em grupo. Não cite os nomes dos autores dos textos a fim de evitar constrangimentos ou gozações.
7ª aula:
Leia as produções de seus alunos, sem citar autoria, para que toda turma possa conhecer os diferentes finais possíveis.
Leia outra crônica para seus alunos, mostrando como as marcas do gênero estão presentes nelas e retomando cada uma delas. Sugestão de leitura: “Festa de aniversário”, Luis Fernando Veríssimo.
Apresente outras crônicas para que sejam lidas individualmente. Caso haja acesso fácil à Biblioteca, organize uma visita ao local para que as leituras sejam feitas lá, diretamente de livros que apresentem textos do gênero.
8ª aula:
Elabore uma avaliação que vise à interpretação de uma crônica e à verificação da assimilação das marcas centrais do gênero.
Professor: Se possível, agende uma visita da turma ao Zoológico, para que vejam os animais citados na história e outros.

Simone Costa

segunda-feira, 11 de março de 2013

Música "Clair de lune"

Atenção, turminha da 6ª D, segue link para ouvirem a música Clair de Lune, citada no texto "Flor do Cerrado: Brasília", de Ana Miranda:

http://www.youtube.com/watch?v=SKd0VII-l3A

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Trabalhos sobre profissões

Moçadinha, tenho alguns trabalhos do ano passado comigo. Por favor, divulguem! Quem quiser obter seu trabalho de volta, procure-me, please!!!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Feliz!!

Ser professor é, muitas vezes, difícil e complicado: falta de interesse, indisciplina, o sistema político e educacional, falta de respeito... Coisas que nos desanimam e, às vezes, nos fazem pensar que todo trabalho é em vão. Porém, como é bom reencontrar depois de algum tempo certos alunos e saber que estão bem, decididos a terem um futuro melhor e batalhando por isso. E hoje foi dia!!