sábado, 7 de junho de 2014

Deixa o "vamos" ir...

Se na época de 2000 o que arrepiava os linguistas era o uso excesso do gerúndio (o dito "gerundismo"), hoje é o verbo ir.

Sem mais, nem menos, ele é enfiado antes de outros verbos, gerando expressões como: "vamos fazer", "vamor comprar", "vamos ver", "vamos sair" e, até (pasmem) "vamos ir"!

Enquanto isso, o futuro do presente, tão belo e nobre, morre aos poucos, lentamente. Quem usa "faremos" (sim, é "faremos", "fazeremos" não existe), compraremos, assistiremos, sairemos, veremos nos dias de hoje? (Lembrei do "ora, ora, veremos". Não ouço isso há anos!!!) Essas conjugações hoje geram estranhamento e surpresa.

Quando se pede para substituir os dois verbos por um só, surgem coisas como: "iremos fazer", "iremos comprar"e... "iremos ir".
:oP

E, assim, caminha a Língua Portuguesa. Vamos sempre simplicando e aceitando tudo em favor da diversidade linguística e do "não há certo ou errado na língua". Vamos ver até quando vamos continuar cedendo por essa causa (argh, frase horrível!!).

Ah, verbo ir... Bem que poderia ir mesmo e voltar com os velhos tempos de estudo afinco da Gramática.

Simone Costa


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Guia do Estudante

Para os que vão prestar vestibular, sugiro o site: http://guiadoestudante.abril.com.br/

Diferença entre trovador e jogral

O trovador é um poeta que, além de escrever em versos, também compõe a música em que eles devem ser cantados. E a poesia que escreve é para ser ouvida, não para ser lida. Diante de que público? Do das cortes. O trovador anda de core em corte, a sua poesia divulga-se rapidamente, embora em círculos sociais fechados. Mas quem tem papel muito mais activo em tal divulgação é o jogral, geralmente de baixa condição no contexto da sociedade em que circula, sendo qualificações bastantes para ele o saber cantar e tocar bem, embora pudesse ser preferido o que possuísse outras artes para chamar a atenção do público. Quais? As que, como diríamos hoje, são mais próprias dos artistas de circo.

O trovador, geralmente da classe nobre, podia empregar um jogral para divulgar as suas composições (...). O jogral podia, no entanto, à força de talento, promover-se a trovador, mas as represálias de casta eram, por vezes terríveis. E o trovador, em caso de penúria, corria o risco de despromover-se a jogral, já que, se Por necessidade fosse obrigado a percorrer as cortes, pelos benefícios daí derivados, a sociedade escalonada em apertada rede de hierarquias tornava-o em fidalgo marginalizado, caído em desgraça, compelido a descer, sem mais remédio, alguns degraus da íngreme e ingrata escada social.
Alexandre Pinheiro Torres, «Introdução» à Antologia da Poesia Trovadoresca Galego-Portuguesa, 2ª, ed.. Lello. Porto, 1987.

http://auladeliteraturaportuguesa.blogspot.com.br/2007/03/trovadores-e-jograis.html